12.set.2011 | Rentcars.com | Dicas

Rally no Brasil

Assim que o carro foi inventado, o homem tratou de dar um jeito de testar a sua competitividade ao disputar provas de automobilismo. E o grande responsável por todas as competições automotivas posteriores é o rally; sem ele estaríamos sem Fórmula 1, Campeonato Mundial de Rally e outras provas automobilísticas.

Quem saiu na frente foi a Europa, ao fazer de forma arcaica as primeiras provas de rally. Na década de 1910, sem segurança nenhuma, os pilotos corriam contra o relógio para saber quem havia percorrido certa distância em menor tempo. Era o início daquilo que, anos depois, seria o Campeonato Mundial de Rally.

Rally no Brasil

O Subaru Imprenza um dos carros mais bonitos do campeonato mundial de rally

A França foi o país que se destacou neste assunto. Como antigamente tudo era amador, o país deu o primeiro empurrão para o profissionalismo quando um jornal local fez uma premiação com júri, avaliando quem era o mais rápido numa disputa de rua. E isso a olho nu, não havia nenhuma cronometragem e, se o juiz achasse que um certo carro era o mais rápido, ele ganhava.

Com o tempo, o rally foi se aperfeiçoando e a avaliação mudou: em cada ponto da cidade um cronômetro registrava o tempo de saída e chegada para afirmar quem foi mais rápido.  A velocidade média destes veículos era algo que hoje fazemos numa bicicleta: 24 km/h!

Rally no Brasil

Além da pouca velocidade, os carros ainda tinham que enfrentar a neve

Mesmo com velocidade tão baixa, ainda ocorriam incidentes resultantes em mortes. Se hoje, com toda a segurança, vemos pessoas do público sendo atropeladas, naquela época a situação era ainda mais crítica. As estradas eram de terra, o que gerava poeira que dificultava a visão, animais atravessavam a pista e os carros eram máquinas de morte sem cinto de segurança e proteção.

Vendo tantas vidas sendo tiradas em função de um esporte, o governo francês e depois vários países europeus decidiram banir o rally. De agora em diante só poderiam ser feitas corridas em locais fechados, ou seja, autódromos. E aí nasceu outro esporte.

Rally no Brasil

As ruas lotadas para acompanhar o Monte Carlo Rally

Continuando no rally, depois de estar nesta encruzilhada, os ricaços de Mônaco não quiseram saber de banimento. Juntaram um grupo de endinheirados e na porta do cassino de Mônaco embarcaram para o primeiro Monte Carlo Rally, em 1910.

Organizado pelo Príncipe Albert I, este rally tinha o incentivo das montadoras: o carro vencedor era visto como confiável e veloz, uma bela propaganda de marketing para um público cativo.

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O rally de modo bem diferente do que vemos hoje

A Primeira Guerra Mundial esfriou o ânimo de todos e apenas provas esporádicas aconteciam. Foi somente no final da Segunda Guerra Mundial que o rally pôde retornar à admiração que antes exercia nos motoristas. Estas disputas entre guerras voltaram com força total e na França foi organizado o Coupe dês Alpes e na Grã-Bretanha foi criado o RAC (Royal Automobile Club Rally). Este era o exemplo claro que o rally nunca mais deixaria de ser disputado.

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O Coupe dês Alpes, disputado em 1958

Nos anos 50, outros países europeus começaram a organizar ralis de longa distância, formando assim o Campeonato Europeu de Rally (ERC) com chancela da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Mesmo com sua tradição, o ERC entrou em declínio. E a culpa é da própria FIA, que estabeleceu uma nova categoria: o Campeonato Mundial de Rally, dividido entre Construtores e Pilotos.

O destemido grupo B

Em 1973, quando o Campeonato Mundial de Rally nasceu, era preciso separar o joio do trigo, pois era comum campeonatos receberem mais de 100 inscritos. Para dividir em categorias onde era possível ter carros em condições iguais, foram instituídos grupos, separados por critérios como limite de peso e potência, tecnologia, orçamento total e número de produção. No Grupo A, o principal, era preciso ter 5000 carros fabricados na linha de produção.

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Loucura e destreza, as palavras-chave do grupo B

O grupo 4, depois chamado de B, reuniu os fabricantes que tinham muito dinheiro para gastar, porém lançavam poucas versões no mercado. Dessa forma, os carros para o rally poderiam ser totalmente modificados somente para este fim. Os motores tinham 500 cavalos e peso inferior ao da categoria A. Com estes dados, já dá para imaginar a velocidade que estes veículos chegavam.

Tudo era levado ao extremo na categoria B; quem assiste aos vídeos clássicos de Ari Vatanen pode dizer que o cara nunca freava, nem mesmo nas curvas próximas a penhascos, que tinham proteção mínima ou quase nenhuma. Estradas de terra eram percorridas como se fossem um tapete de asfalto para os pilotos.

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Ari Vatanen no lendário circuito de Pikes Peaks

Os finlandeses e suecos se destacavam no rally e foi depois do acidente de um deles que a categoria teve que ser repensada. Henri Toivonen, um jovem piloto audaz, com estilo de pilotagem sempre agressiva, logo conquistou o título mundial, mas sua carreira não durou muito tempo.

Há quem coloque a culpa no resfriado e mal estar que Toivonen sentiu naquele dia, mas o fato é que numa curva sem guard-rail o finlandês não conseguiu acertar o ponto de frenagem e capotou violentamente chocando-se contra uma árvore e explodindo com o impacto. O co-piloto Sergio Cresto e Henri morreram na hora, o que restou foi somente a forma tubular do veículo. O acidente foi tão chocante que horas depois a categoria foi banida.

A bravura dos pilotos do Grupo B deu uma aura mística ao rally, sendo vista com saudosismo até hoje. Procure por vídeos das corridas em Pikes Peaks, na Irlanda que você vai entender o porquê.

O mais perigoso dos rallies

Nos 50, os organizadores faziam de tudo para dizer que o seu rally era coisa de macho. Sim, esta era a mentalidade deles: quanto mais difícil, maior era a prova de masculinidade de um piloto, capaz de enfrentar seus medos e a própria morte. Provas sem nenhuma penalidade realizadas nos pontos mais inóspitos possíveis faziam a fama do rally nesta época.

Entretanto, quem leva os créditos de prova mortal é o tradicional Rally Dakar. Em 1978, Thierry Sabine estava participando de uma prova nas dunas de Senegal, quando se perdeu. Em meio a pensamentos, Sabine visualizou que aquele era o local ideal para receber uma competição: cenários adversos naturais, temperatura extrema e paisagem formidável compuseram o sonho do seu rally. No ano seguinte, saindo de Paris, os pilotos fizeram a primeira rota do Rally Paris-Dakar.

Rally no Brasil

Desde 2009 a prova percorre lugares da Argentina e Chile

Carros, motos e caminhões realizam o trajeto, que em 2008 teve que ser cancelado devido à insegurança da região de Dakar. A partir de 2009, o rally foi descaracterizando, tendo largada em Buenos Aires, bem longe da França e Dakar. No total, mais de 50 pilotos já perderam a vida tentando terminar a prova.

E o Brasil?

O Rally dos Sertões é com certeza o mais popular rally do país. A prova foi inaugurada em 1991, no trajeto Campos do Jordão, SP, até Natal, Rio Grande do Norte.

Rally dos Sertões

Rally dos Sertões: a prova mais tradicional do Brasil

Mas 80 anos antes, os brasileiros já alinhavam os carros de manivela e competiam para saber quem era mais rápido. O Automóvel Club do Brasil organizava as competições entre seus sócios e as corridas eram sucesso de público, chegando a levar mais de 10 mil espectadores a cada prova.

Desde então, provas de velocidade e de regularidade vêm sendo organizadas por todo o território nacional. Entre as competições com grande projeção se destacam o Campeonato Brasileiro de Velocidade, a Copa Peugeot, o Mitsubishi Cup e as provas regionais.

E você, já disputou alguma prova de rally ou assistiu a alguma prova ao vivo? Deixe a sua mensagem na nossa caixa de comentários!

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